Colocação de Professores 2026/2027: os Números Antes das Aulas
Mais de 19 mil professores foram colocados nas escolas públicas portuguesas para 2026/2027, mas há menos vagas do que no ano anterior. Veja os números.
Colocação de Professores 2026/2027: os Números Antes das Aulas
Mais de 19 mil docentes foram colocados nas escolas públicas para o ano letivo 2026/2027, mas o número de vagas oferecidas caiu face ao ano anterior. Veja os números oficiais, onde estão as maiores carências e o que isso pode significar para a escola do seu filho.
Quantos Professores Foram Colocados para o Ano Letivo 2026/2027
A Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) publicou, a 5 de junho de 2026, as listas definitivas de colocação de docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário. No total, cerca de 19.172 professores ficaram colocados numa escola pública para o próximo ano letivo, através dos concursos interno e externo.
Do concurso externo resultaram 4.776 novas entradas nos quadros do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) — professores que passam a ter um vínculo efetivo numa escola ou agrupamento. O concurso interno, por sua vez, envolveu mais de 14.300 docentes de carreira que já pertenciam a um quadro de agrupamento/escola ou a um quadro de zona pedagógica e que mudaram de escola, de zona ou de grupo de recrutamento.
Por grupo de recrutamento, os números mais elevados registaram-se no 1.º Ciclo do Ensino Básico (3.090 colocações), na Educação Especial (1.784) e na Educação Pré-Escolar (1.697) — três das áreas que, no nosso diretório de mais de 5.000 escolas em Portugal, mais frequentemente reportam dificuldade em manter equipas docentes estáveis de ano para ano.
Como Funciona o Concurso Interno e o Concurso Externo
O concurso externo destina-se a professores contratados ou fora do quadro que se candidatam a um lugar efetivo pela primeira vez, ou a docentes de carreira que pretendem mudar de quadro. Este ano, foram oferecidas 8.565 vagas neste concurso, das quais apenas 4.776 acabaram preenchidas — uma diferença que os sindicatos consideram reveladora da dificuldade em atrair candidatos para determinadas disciplinas e regiões.
Já o concurso interno serve para reorganizar os professores que já são do quadro, permitindo-lhes candidatar-se a uma mudança de escola, de zona pedagógica ou de grupo de recrutamento, geralmente por aproximação à residência ou por preferência profissional. Este mecanismo é o que mais contribui, todos os anos, para a rotatividade de professores dentro do sistema público, incluindo em escolas que os pais já conhecem bem, como acontece nos grandes agrupamentos urbanos.
Vale a pena recordar que este processo de concursos — interno e externo — é distinto do novo modelo de colocação anunciado pelo Governo em julho de 2026, que só entrará em vigor no ano letivo 2027/2028 e que inclui um "concurso em contínuo" para necessidades temporárias. Para perceber essa reforma em detalhe, veja o nosso artigo sobre o novo modelo de colocação de professores em Portugal.
Onde Estão as Maiores Carências: Lisboa e Setúbal em Destaque
As regiões de Lisboa e do Vale do Tejo continuam a ser as que mais professores absorvem em cada ciclo de colocações. Segundo o Governo, 5.454 docentes foram colocados nas zonas classificadas como de maior carência, distribuídas por diferentes zonas pedagógicas (QZP) espalhadas pelo país.
Só a zona pedagógica que abrange concelhos como Amadora, Cascais, Loures, Odivelas, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira recebeu 2.814 professores, enquanto a zona da Península de Setúbal — Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Montijo — recebeu 1.124. Em conjunto, as regiões de Lisboa e Setúbal absorveram 3.938 das colocações totais, quase um quinto de todo o processo nacional.
Para as famílias residentes nestes concelhos, este é um dado relevante: uma escola pública num agrupamento como o de Sintra, por exemplo, tende a ter uma percentagem maior de professores em início de colocação — e não de continuidade — do que uma escola numa zona do país com menor procura, como o interior.
A Escola Básica D. Carlos I, sede de agrupamento em Sintra, é um exemplo do tipo de escola pública nestas zonas de forte procura, onde a estabilidade do corpo docente é frequentemente discutida pelas associações de pais no início de cada ano letivo.
Menos Vagas do que no Ano Anterior: o Alerta dos Sindicatos
A Fenprof (Federação Nacional dos Professores) chamou a atenção para um dado que considera preocupante: o número de vagas abertas no concurso externo este ano foi inferior ao do ano letivo anterior, numa altura em que a federação diz continuar a existir escassez de docentes em várias disciplinas e regiões. Segundo a federação, cerca de 2.730 professores se aposentaram entre setembro de 2025 e junho de 2026, um número que nem sempre é totalmente compensado pelas novas colocações.
A Fenprof criticou ainda o anúncio da extinção futura do mecanismo de "vinculação dinâmica" — que permite a professores contratados acumularem tempo de serviço para acesso a um lugar efetivo — associando essa mudança à reforma do modelo de colocação já prevista para 2027/2028. Para a federação, é essencial que qualquer alteração ao sistema preserve "transparência, justiça e equidade" no acesso aos lugares.
Na prática, a diferença entre vagas oferecidas e vagas preenchidas no concurso externo (8.565 contra 4.776) não significa necessariamente que uma escola específica vá começar o ano sem professor numa disciplina — muitas dessas vagas acabam por ser cobertas mais tarde por contratação de escola, através da bolsa de contratação de docentes que funciona ao longo do ano letivo.
O Que Isto Significa Para os Pais e Para a Escola do Seu Filho
Para uma família, o número global de professores colocados diz menos do que a situação concreta da escola do seu filho. Ainda assim, alguns sinais úteis para acompanhar nas primeiras semanas de setembro incluem: se todas as disciplinas têm professor atribuído logo no arranque, se há substituições frequentes nas primeiras semanas, e se a direção do agrupamento comunica atempadamente eventuais lacunas.
As disciplinas historicamente mais afetadas por escassez — Educação Especial, 1.º Ciclo, e mais tarde no ano, algumas áreas do 3.º Ciclo e Secundário — são também as que os pais devem acompanhar com mais atenção junto do diretor de turma ou do educador titular. Se notar uma ausência prolongada sem substituição, a associação de pais e a direção do agrupamento são o primeiro canal a contactar.
Este tema liga-se diretamente à ansiedade natural que muitas crianças sentem no arranque do ano letivo, sobretudo quando há mudanças inesperadas de professor logo nas primeiras semanas de aulas.
Calendário: o Que Falta Até ao Início do Ano Letivo
Os docentes colocados nos concursos interno e externo devem apresentar-se ao serviço na escola de colocação a 1 de setembro de 2026, independentemente da data de início das aulas para os alunos. É a partir desta apresentação que as escolas e agrupamentos organizam horários, distribuição de turmas e, quando necessário, pedidos de contratação de escola para as vagas que ainda restam por preencher.
Este calendário de colocação de professores decorre em paralelo com o calendário escolar, que já sofreu um ajuste este ano: o início das aulas do ensino secundário foi adiado para 21 de setembro de 2026, uma semana depois do previsto inicialmente, devido à sobrecarga dos professores classificadores dos exames nacionais. Para consultar todas as datas oficiais por ciclo de ensino, veja o nosso calendário escolar 2026/2027 completo.
Perguntas Frequentes
Quantos professores foram colocados para o ano letivo 2026/2027?
Cerca de 19.172 docentes ficaram colocados numa escola pública, somando 4.776 colocações do concurso externo e mais de 14.300 do concurso interno, segundo as listas definitivas publicadas pela AGSE a 5 de junho de 2026.
Há menos professores colocados do que no ano anterior?
O número de vagas abertas no concurso externo foi inferior ao do ano letivo anterior, uma tendência que a Fenprof considera preocupante face à escassez de docentes que a federação diz persistir em várias disciplinas e regiões do país.
Quando é que os professores colocados começam a trabalhar na escola?
Os docentes colocados devem apresentar-se ao serviço a 1 de setembro de 2026, uma data que é anterior ao início das aulas para os alunos em qualquer ciclo de ensino, para permitir a organização de horários e turmas.
O que acontece se uma escola não conseguir preencher todas as vagas de professores?
As vagas que não ficam preenchidas nos concursos interno e externo podem, ao longo do ano letivo, ser cobertas através da contratação de escola, um mecanismo que permite às escolas recrutar diretamente docentes para necessidades temporárias ou não previstas nos concursos regulares.
Este é o mesmo processo do novo modelo de colocação de professores anunciado pelo Governo?
Não. Os concursos interno e externo que geraram estas colocações para 2026/2027 seguem as regras já existentes. O novo modelo, com um concurso em contínuo para necessidades temporárias, só entra em vigor no ano letivo 2027/2028.
Os números da colocação de professores são, todos os anos, um dos primeiros indicadores de como vai correr o arranque do ano letivo nas escolas públicas. Se está a escolher ou a acompanhar a situação de uma escola para o seu filho, pode consultar as escolas do seu concelho e comparar opções, públicas e privadas, no nosso motor de pesquisa de escolas em Portugal.